sábado, 22 de agosto de 2009




"Um sopro de vida,

com muito cuidado e ardor

vem para fora de sua cápsula

e se expõe.



Indagações sobre a necessidade de experimentar se colocam,

sazonalmente,

entre os corpos,

corpos que soluçam,

que suam,

soam

e

se amam.



O pulsar,

em seu descompasso,

degusta,

em slow-motion,

das carícias,

do toque,

dos sentidos,

como se delas e deles,

fizesse o alimento diário,

diurno.



Nascer,

nascer para si,

antes de tudo,

de todos.



Para ter tempo suficiente de sentir,

compreender

e escolher

as curvas por onde seguir.



Tropeçar,

cair.



Tempo para utilizar a lógica e se reconstruir,

se restituir,

se reinventar.



Ainda que ao juntar os cacos se defronte com a dor,

ardor e odor de lembranças

incidentalmente

deixadas em flashes,

incomodados e incômodos,

como uma película de cinema mudo,

cego,

surdo,

autista.



Sem texto,

nexo ou sexo,

sem atrativo algum!"



[by me - Iassa * 2007]

domingo, 9 de agosto de 2009

AmOr


"AmOr É qUaNdO aS dIfErEnÇaS nÃo SãO mAiS cApAzEs De SePaRaR"


[Desconhecido]

domingo, 19 de julho de 2009


A Verdade


A porta da verdade estava aberta,

Mas só deixava passar

Meia pessoa de cada vez.


Assim não era possível atingir toda a verdade,

Porque a meia pessoa que entrava

Só trazia o perfil de meia verdade,

E a sua segunda metade

Voltava igualmente com meios perfis

E os meios perfis não coincidiam verdade...


Arrebentaram a porta.


Derrubaram a porta,

Chegaram ao lugar luminoso

Onde a verdade esplendia seus fogos.


Era dividida em metades

Diferentes uma da outra.


Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.


Nenhuma das duas era totalmente bela

E carecia optar.


Cada um optou conforme

Seu capricho,

sua ilusão,

sua miopia.


[Carlos Drummond de Andrade]

Identidade


A identidade,

como a pele,

renova-se,

perde-se de sete em sete anos,

muda no mesmo corpo,

torna diferente a permanência humana.


A identidade é a soma das intenções,

uma foto instantânea para um propósito imediato que não dura.


A identidade é um equívoco para camuflar o coração.



[Pedro Mexia, in "Duplo Império"]

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada.
O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do -bigode,
Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo.


[Drummond]

Eu gosto do seu corpo

Eu gosto do que ele faz

Eu gosto de como ele faz

Eu gosto de sentir as formas do seu corpo

Dos seus ossos

E de sentir o tremor firme e doce

De quando lhe beijo

E volto a beijar

E volto a beijar

E volto a beijar


[E. E. Cummings]

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

[Fernando Pessoa]